<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<!-- generator="wordpress/1.5.1-alpha" -->
<rss version="2.0" 
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
>

<channel>
	<title>Neuadd Bardd</title>
	<link>http://cwm.blogsome.com</link>
	<description>Just another WordPress weblog</description>
	<pubDate>Sat, 29 Apr 2006 06:42:17 +0000</pubDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=1.5.1-alpha</generator>
	<language>en</language>

		<item>
		<title>O Corvo</title>
		<link>http://cwm.blogsome.com/2006/04/29/o-corvo/</link>
		<comments>http://cwm.blogsome.com/2006/04/29/o-corvo/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 29 Apr 2006 06:35:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cwm</dc:creator>
		
	<category>Conto</category>
		<guid>http://cwm.blogsome.com/2006/04/29/o-corvo/</guid>
		<description><![CDATA[	Sauda&ccedil;&otilde;es, para inaugurar o meu Hall dos Bardos, aqui é onde ver&atilde;o contos meus e de outros autores devidamente creditados, acredito q devemos sem dar os créditos aos autores, pois isso mostra um grande respeito aqueles q nos brindam com t&atilde;o belas paginas. 
	Para o primeiro post quero por um conto/poema de um dos autores [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="center">Sauda&ccedil;&otilde;es, para inaugurar o meu Hall dos Bardos, aqui é onde ver&atilde;o contos meus e de outros autores devidamente creditados, acredito q devemos sem dar os créditos aos autores, pois isso mostra um grande respeito aqueles q nos brindam com t&atilde;o belas paginas. </p>
	<p>Para o primeiro post quero por um conto/poema de um dos autores q gosto,e um dia espero conseguir escrever um poema ou conto, com a mesa dialética q este homem dispunha. </p>
	<p>Quero apresentar o grande escritor de terror gótico, Edgar Alan Poe (1809-1849) e a sua obra novamente digo fantástica &quot;The Raven&quot; - O Corvo, numa tradu&ccedil;&atilde;o magnífica de nada mais , nada menos Fernando Pessoa. </p>
	<p>Boa Leitura </p>
	<p align="center"><u><font><strong>O Corvo&nbsp;(The Raven)</strong> </font></u></p>
	<p align="center"><font>Edgard Allan Poe (1809-1849)<br />(tradu&ccedil;&atilde;o de Fernando Pessoa) </font></p>
	<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vagos, curiosos tomos de ci&ecirc;ncias ancestrais,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E já quase adormecia, ouvi o que parecia<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O som de alguém que batia levemente a meus umbrais.<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &quot;Uma visita&quot;, eu me disse, &quot;está batendo a meus umbrais.<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; É só isto, e nada mais.&quot;</p>
	<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como eu qu&#8217;ria a madrugada, toda a noite aos livros dada<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; P&#8217;ra esquecer (em v&atilde;o!) a amada, hoje entre hostes celestiais &ndash;<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas sem nome aqui jamais!</p>
	<p>Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas, a mim mesmo infundido for&ccedil;a, eu ia repetindo,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &quot;É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; É só isto, e nada mais&quot;.</p>
	<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &quot;Senhor&quot;, eu disse, &quot;ou senhora, decerto me desculpais;<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; T&atilde;o levemente batendo, batendo por meus umbrais,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Que mal ouvi&#8230;&quot; E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Noite, noite e nada mais.</p>
	<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso só e nada mais.</p>
	<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para dentro est&atilde;o volvendo, toda a alma em mim ardendo,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N&atilde;o tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &quot;Por certo&quot;, disse eu, &quot;aquela bulha é na minha janela.<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vamos ver o que está nela, e o que s&atilde;o estes sinais.&quot;<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Meu cora&ccedil;&atilde;o se distraía pesquisando estes sinais.<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &quot;É o vento, e nada mais.&quot;</p>
	<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Abri ent&atilde;o a vidra&ccedil;a, e eis que, com muita nega&ccedil;a,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N&atilde;o fez nenhum cumprimento, n&atilde;o parou nem um momento,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Foi, pousou, e nada mais.</p>
	<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com o solene decoro de seus ares rituais.<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &quot;Tens o aspecto tosquiado&quot;, disse eu, &quot;mas de nobre e ousado,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diz-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.&quot;<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Disse o corvo, &quot;Nunca mais&quot;.</p>
	<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pasmei de ouvir este raro pássaro falar t&atilde;o claro,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas deve ser concedido que ninguém terá havido<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com o nome &quot;Nunca mais&quot;.</p>
	<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Perdido, murmurei lento, &quot;Amigo, sonhos - mortais<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todos - todos já se foram. Amanh&atilde; também te vais&quot;.<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Disse o corvo, &quot;Nunca mais&quot;.</p>
	<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A alma súbito movida por frase t&atilde;o bem cabida,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &quot;Por certo&quot;, disse eu, &quot;s&atilde;o estas vozes usuais,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aprendeu-as de algum dono, que a desgra&ccedil;a e o abandono<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E o bord&atilde;o de desesp&#8217;ran&ccedil;a de seu canto cheio de ais<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Era este &quot;Nunca mais&quot;.</p>
	<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Que qu&#8217;ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com aquele &quot;Nunca mais&quot;.</p>
	<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &Agrave; ave que na minha alma cravava os olhos fatais,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isto e mais ia cismando, a cabe&ccedil;a reclinando<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Reclinar-se-á nunca mais!</p>
	<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Fez-se ent&atilde;o o ar mais denso, como cheio dum incenso<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &quot;Maldito!&quot;, a mim disse, &quot;deu-te Deus, por anjos concedeu-te<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O nome da que n&atilde;o esqueces, e que faz esses teus ais!&quot;<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Disse o corvo, &quot;Nunca mais&quot;.</p>
	<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &quot;Profeta&quot;, disse eu, &quot;profeta &ndash; ou dem&ocirc;nio ou ave preta!<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A esta casa de &acirc;nsia e medo, diz a esta alma a quem atrais<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Disse o corvo, &quot;Nunca mais&quot;.</p>
	<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &quot;Profeta&quot;, disse eu, &quot;profeta &ndash; ou dem&ocirc;nio ou ave preta!<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diz a esta alma entristecida se no Éden de outra vida<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!&quot;<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Disse o corvo, &quot;Nunca mais&quot;.</p>
	<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &quot;Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!&quot;, eu disse. &quot;Parte!<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Torna á noite e &agrave; tempestade! Torna &agrave;s trevas infernais!<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N&atilde;o deixes pena que ateste a mentira que disseste!<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Minha solid&atilde;o me reste! Tira-te de meus umbrais!<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!&quot;<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Disse o corvo, &quot;Nunca mais&quot;.</p>
	<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Seu olhar tem a medonha cor de um dem&ocirc;nio que sonha,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E a luz lan&ccedil;a-lhe a tristonha sombra no ch&atilde;o há mais e mais,<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Libertar-se-á&#8230; nunca mais!</p>
	<p>Para todos um grande dia<br />Abra&ccedil;os<br />Taliesin </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://cwm.blogsome.com/2006/04/29/o-corvo/feed/</wfw:commentRss>
	</item>
	</channel>
</rss>
